quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Que é simpatia?

Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!


Casemiro de Abreu
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Cien sonetos de amor (nº 44)

Sabrás que no te amo y que te amo
puesto que de dos modos es la vida,
la palabra es un ala del silencio,
el fuego tiene una mitad de frío.

Yo te amo para comenzar a amarte,
para recomenzar el infinito
y para no dejar de amarte nunca:
por eso no te amo todavía.

Te amo y no te amo como si tuviera
en mis manos las llaves de la dicha
y un incierto destino desdichado.

Mi amor tiene dos vidas para amarte.
Por eso te amo cuando no te amo
y por eso te amo cuando te amo.

Pablo Neruda

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quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Estamos com fome de amor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida? Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.

Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:
"Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer
ridículos, abobalhados, e daí?

Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando
bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele.

Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz !

Arnaldo Jabor

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Contribuição da Aninha.
Ela viu que não tinha
nenhum texto do Arnaldo aqui e escolheu esse
a dedo!!!
Um bjo no coração lindinha!!!
Obrigado!!!


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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A carta que não foi mandada

Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm
lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais....

Vinícius de Moraes

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A Gente Cresce

Enquanto sofre daquele jeito que parece que o mundo vai acabar. E em meio à alegria. A gente cresce com a ajuda dos amigos, e a despeito dos inimigos. A gente cresce quando acorda às cinco da manhã para acabar um trabalho, e quando não consegue ir trabalhar às nove, porque ainda está meio bêbado. A gente cresce enquanto planeja o cinema para o horário mais barato - e viável, e quando paga a conta de três dígitos no bistrot. A gente cresce trabalhando as férias inteiras para colocar a vida em dia. E descobrindo que certas coisas não puderam ser consertadas. A gente cresce quando ama e o coração está com o tamanho três vezes maior do que o normal. Mas também cresce quando não está amando ninguém.

A gente cresce detectando problemas de saúde por conta da vida sedentária, e correndo contra o vento numa manhã ensolarada de domingo. A gente cresce lutando por uma amizade que nos marcou, e depois entregando os pontos - e achando que ela foi embora para nunca mais voltar. A gente cresce brilhando, sendo reconhecido pelos próprios méritos. E quando tudo parece conspirar para mostrar onde erramos. A gente cresce no meio daquela ansiedade insuportável, aquela sensação de que o mundo está se fechando ao redor de nós. Mas também cresce quando desiste de ter o controle da vida, deixando ela acontecer como for possível.

A gente cresce enquanto transa, desejando que estivesse fazendo amor. A gente cresce em meio à serenidade - e à turbulência. A gente cresce enquanto se sente patinho feio, e enquanto irradia beleza por todos os poros. A gente cresce enquanto sente medo - e quando resolve encará-lo de frente. A gente cresce na incoerência entre discurso e prática. A gente cresce levando vida de adolescente, e ansiando pelas sextas-feiras já no domingo à noite. A gente cresce fazendo dívidas - e planos - de gente grande. A gente cresce fazendo movimentos para mudar o que pode. A gente cresce desistindo de mudar o mundo. A gente cresce percebendo que não pode tudo, e se dizendo um monte de "nãos". A gente cresce ouvindo, finalmente, alguns "sim's". A gente cresce deixando o orgulho para trás, e pedindo ajuda para quem ama. A gente cresce recebendo ajuda de onde menos espera.
A gente cresce com tudo e apesar de tudo. E acima de tudo. A gente cresce.


Autor Desconhecido

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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Tu e Eu

(Composition, por Jackson Pollock)

Somos diferentes, tu e eu.
Tens forma e graça
e a sabedoria de só saber crescer
até dar pé.
Eu não sei onde quero chegar
e só sirvo para uma coisa
- que não sei qual é!
És de outra pipa
e eu de um cripto.
Tu, lipa
Eu, calipto.

Gostas de um som tempestade
roque lenha
muito heavy
Prefiro o barroco italiano
e dos alemães
o mais leve.
És vidrada no Lobo
eu sou mais albônico.
Tu, fão.
Eu, fônico.

És suculenta
e selvagem
como uma fruta do trópico
Eu já sequei
e me resignei
como um socialista utópico.
Tu não tens nada de mim
eu não tenho nada teu.
Tu, piniquim.
Eu, ropeu.

Gostas daquelas festas
que começam mal e terminam pior.
Gosto de graves rituais
em que sou pertinente
e, ao mesmo tempo, o prior.
Tu és um corpo e eu um vulto,
és uma miss, eu um místico.
Tu, multo.
Eu, carístico.

És colorida,
um pouco aérea,
e só pensas em ti.
Sou meio cinzento,
algo rasteiro,
e só penso em Pi.
Somos cada um de um pano
uma sã e o outro insano.
Tu, cano.
Eu, clidiano.

Dizes na cara
o que te vem a cabeça
com coragem e ânimo.
Hesito entre duas palavras,
escolho uma terceira
e no fim digo o sinônimo.
Tu não temes o engano
enquanto eu cismo.
Tu, tano.
Eu, femismo.


Luiz Fernando Veríssimo
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Contribuição da prima!!!!
Brigadão Nathalie!!!! =D